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segunda-feira, 28 de março de 2016

Fernando Bessony Filho

Parte II


Tece peito
pardo partira
rumo preciso
das linhas
cortantes
golpes de sul
golpes de África
golpes de mestres
goles de quinta
queijos sem sofrimento
termos distantes
olhares ainda
vizinhos de litrão
prédios populares
bocais de mata
flores pela estrada tigrada
cremes coloridos
em domingos mornos
massas de tartarugas ninjas
palitinhos decorados
de bíblias na mão,
exaltando o muro branco
coletivos, inúmeros,
lábios quentes, assexuados,
mercados diversos
bairro da cura
pigmentos
novos ombros
papéis de números
água que cria
parque da antiguidade
sonho de bermuda suja de barro
magreza em espelho de visita
caldo de sopa de feijão do agora
chave que empata foda
rumo que enriquece abraço
(visão sincera pelas ruas do olhos)

Cruzado direto sem cortes
queixas quebram queixos
muros sangram punhos (coléricos)
e o silêncio? floresce gotas de sol

***

Cruzado direto sem cortes
queixas quebram queixos
muros sangram punhos (coléricos)
e o silêncio? floresce gotas de sol

segunda-feira, 7 de março de 2016

Fernando Bessony Filho


um grande pedaço de som em um dos ouvidos
o peso da força no peito
roupas estendidas no varal
ao cantarolar de uma melodia familiar:
sentou-se
percebes? vida e morte é viver.
são rebentos e pedaços de nós que partem para onde quiserem.
é cuidar das feridas.
é o remover as manchas do quadro na parede.
é reabraçar o perfume esquecido pela força do sábio tempo.
as ruas ainda são as mesmas que um dia todos nós caminhamos.
o querer bem ainda será mais intenso.
os de estimação sentem o nosso apreço,
seja ele o que te abraçar (seja dele o último abraço)
o repintar se faz necessário.
uma nova canção te pede o hábito.
percebes? morte e vida é viver.